Em tempos de aplicativos de delivery e grandes planejamentos de logística, um serviço que nasceu na Índia há 125 anos continua dando lições: os dabbawalas, entregadores de marmitas que trabalham em Mumbai e utilizam um sistema que ao mesmo tempo consegue ser extremamente simples e extremamente complexo, além de lidar com números colossais.

Na Índia, mesmo em grandes metrópoles como Mumbai, onde restaurantes e grandes redes de fast-food são extremamente numerosas, as pessoas têm o costume de comer comida caseira. E é nesse costume que se baseiam os dabbawalas, entregadores de marmitas que utilizam bicicletas e o caótico transporte público da cidade para buscar marmitas na casa do cliente, preparadas pelas esposas, mães e avós, e entregar no serviço. E ainda devolvem as marmitas vazias na casa.

São mais de 200 mil marmitas todos os dias, identificadas apenas por etiquetas coloridas, números e andares dos prédios nos quais devem ser entregues. Não existe nenhum tipo de cadastro eletrônico, nome ou contato. E mesmo assim, o índice de erro dos dabbawalas não ultrapassa 1 em cada 16 milhões de entregas, tudo isso no caos da metrópole indiana, onde o trânsito e o transporte público precários e superlotados parecem não ser obstáculo para os entregadores, que têm como lema “Levar comida a alguém é o mesmo que servir a Deus”.

Como eles conseguem?

Os dabbawalas formam intrincadas redes de logística pela cidade, mas são basicamente divididos em três equipes. A primeira é encarregada de pegar a marmita na casa do trabalhador e levá-la, geralmente de bicicleta, até a estação de trem determinada, onde outra pessoa pegará a entrega e deixará em outra estação pré-determinada, tudo com os códigos de cores e números nos pacotes.

O terceiro e último grupo é responsável por pegar a marmita na estação de trem e levar até o local da entrega. Os trabalhadores param então por uma hora, para comer as marmitas que trouxeram das próprias casas, e então começa o trabalho inverso, levando as marmitas vazias de volta. O sistema é tão eficiente que vem sendo estudado por empresas de logística de todo o mundo.

Núcleos de dabbawalas também já estão se formando em outras partes da Índia e em algumas regiões nos Estados Unidos.

fonte: acrediteounao

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